O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed) presentou, nesta terça-feira, um relatório de dez páginas e com várias fotos anexadas que aponta as condições de funcionamento e de trabalho médico hoje existentes no Hospital Geral do Estado (HGE) e na Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca. O documento será entregue ainda hoje pelo sindicato ao Ministério Público Estadual (MPE), Defensoria Pública, Ministério Público Federal (MPF) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL). O objetivo é fazer com que essas entidades busquem alternativas para melhorar a situação das unidades de saúde do Estado.
De acordo com o presidente do Sinmed, Wellington Galvão, os médicos estão deixando Alagoas para ir em busca dos melhores salários que são pagos em outros estados. Faltam intensivistas e os pacientes que estão na Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) acabam ficando sem o acompanhamento dos profissionais qualificados, o que estaria acarretando em mortes.
“O descaso oficial para com os problemas estruturais dos hospitais e ambulatórios vem agravando nos últimos anos o caos ocasionado pela falta de médicos, porque os profissionais estão desistindo de trabalhar no serviço público estadual. Médicos concursados no último certame realizado pelo Estado simplesmente pedem demissão”, aponta o relatório.
De acordo com o sindicato, hoje vive-se o caos dentro do HGE. Os pacientes continuam espalhados pelos corredores e, nas UTIs, muitos plantões ficam descobertos, sem que nenhum profissional faça o acompanhamento dos pacientes internados. “A UTI do HGE vem ficando sem médico em alguns horários há cerca de dois meses. Hoje, as pessoas entram lá para morrer”, afirmou Wellington Galvão.
A falta de profissionais médicos – que é apontada como um dos principais problemas, deve-se, segundo o Sinmed, à falta de incentivo por parte do Estado. Para se ter uma ideia, os médicos que possuem uma carga horária de 20 horas recebem, em Alagoas, um salário médio de R$ 1.400. No Piauí, esse valor é de R$ 7 mil, e no Ceará ultrapassa R$ 4 mil.
“Com esse relatório, nós queremos que alguma providência seja tomada. Hoje, 93% da população de Alagoas não possui plano de saúde e depende do serviço público de saúde. Queremos que seja implantado um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e que o Estado realize concurso público que ofereça um salário digno, já que mais de 50% dos profissionais hoje existentes na rede pública de saúde de Alagoas são serviços prestados”, diz Wellington.
De acordo com o relatório, a situação na Unidade do Agreste é semelhante à existente hoje no HGE.
Demissão – A situação no HGE pode ser agravada ainda mais. Isso porque, no último dia 1º, todos os médicos ortopedistas deram entrada com o pedido de demissão. Dentro de 30 dias, profissionais dessa especialidade devem deixar de atender. “Nossa preocupação é que profissionais de outras especialidades façam isso”, destaca o presidente do sindicato.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) afirmou que ainda não teve acesso ao relatório, mas que vai se manifestar, por meio de nota, ainda nesta terça-feira.
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